quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Nordestinês desmedido


Imagem: https://goo.gl/YlSwuV
Por vezes, preciso usar a palavra mizera e não miséria, como seria o certo no português formal. Como exemplo posso citar a seguinte frase: esse mizera não merece nada de bom. Isso me faz lembrar de como gostoso é usar esse coloquialismo desmedido, sendo algo fluido e natural a mim. 

Que me perdoei os dicionaristas de plantão, quem anda sobre trilhos, numa linha é o trem, e nem sempre a linha é reta. Porque eu, potiguar e nordestino, deveria me curvar as frases prontas. Como diria um sábio, um aglomerado de palavras concatenadas, e deixar isso que é tão gostoso, tão fluido e ligado a realidade de uma vida regada numa cultura tão intensa e tão arraigada a vida do homem do sertão. O nosso sotaque, o nosso coloquialismo é um dos pontos chaves que nos diferencia em uma sociedade de pessoas que querem ser tão iguais, tão dentro do padrão. 

Como dizia o mestre Ariano Suassuna: não troco o meu “oxente” pelo “ok” de ninguém! Sim, poucas coisas marcam uma cultura como a linguagem coloquial, abranja ela uma pequena comunidade local, uma cidade, um estado, ou até mesmo um pais. Não podemos deixar de citar a tão famosa palavra galado, tão usada na capital, Natal/RN, e de certa forma em todo território do Rio Grande do Norte. Por incrível que parece, essa palavra, dependendo da tonalidade da voz e das circunstâncias pode significar diversificados posicionamentos. A versatilidade dessa palavra é de uma proporcionalidade tão grande que apenas com exemplos podemos elucida-la. Vamos lá, ao dizer: Ele é um galado! Seria o mesmo que: Ele não presta; E em outra ocasião: Esse homi é um galado, isso de forma lisonjeira. Como se dissesse: Você é legal. Essa palavra é nosso canivete suíço.

Não podemos desvincular nossa forma de falar da realidade social/cultural de uma determinada localidade, pois o nosso coloquialismo representa a nossa forma de expressar o nosso acúmulo sociocultural reproduzida em sons audíveis.

Por fim, me despeço dizendo: Aquele homi é um mizera, e não um galado como tu.
Adriano de Alexandria Editor

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

[Opinião] Escola sem partido, um grande retrocesso na educação brasileira


Futuro, as ideias serão todas quadradas.
Nunca, no Brasil, vivemos uma tão forte polarização política, e o efeito dessa polarização vai além dos calorosos debates políticos nas tribunas das assembleias e nas ruas. A efervescência elevada nesse campo de embates políticos/sociais elevou-se tanto que levou essa disputa para o campo da educação brasileira, claro que já se discutia temas razoavelmente calorosos e difíceis de um consenso uníssono.

De fato, é inegável a tentativa de doutrinação que acontece por parte de alguns professores mais radicais naquilo que acreditam. Porém, levar a sala de aula o que se pensa, não é peremptoriamente errôneo, o que pode levar a um erro grotesco é impor a mordaça ao discente, e tira-lhe o direito de pensar ou questionar, pois não existe pessoas isenta de ideologia, isenta de uma bagagem histórica que pesa na balança ao expor seus pensamentos, de certo é errado por parte dos que mais acalorados não aceitam um discurso diferente daquilo que lhe é mais aprazível, nas isso não é motivo para se impor uma ditadura em forma de um pensamento doutrinário estatal.

Apesar do cabo de guerra formado entre socialistas, conservadores e liberais ter se tornado tão intenso na área educacional, a imposição de uma legislação que comprometa o debate e amordace os professores quanto aos assuntos históricos ou atuais não será benéfico na formação dos discentes, pois que tipo de pessoas iremos preparar para o mundo, se não um cidadão que não pensa ou questiona.

Por fim, o debate em torno do projeto de lei 193/2016 traz o foco a educação brasileira que se encontra em uma encruzilhada devido a diversas mazelas que já é de conhecimento de todos. Com isso, os gestores deveriam aproveitar a oportunidade da inserção da educação na agenda pública para discutir e consolidar aquilo que já é proposto,  e que na realidade não chegou a sombra do que está no papel.

Adriano de Alexandria Editor

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Em suposto áudio que circula nas redes sociais, prefeito de Várzea/RN prometeu não nomear familiares


Em suposto áudio que anda circulando nas redes sociais o prefeito do município de Várzea/RN, segundo o vídeo em seu discurso de posse, prometeu que não iria nomear nenhum dos seus familiares.

Apesar dos ruídos, e da má qualidade do áudio, pode-se ouvir: "Familiares meus, familiares meus, não trabalha na prefeitura, não trabalha na prefeitura, até porque é para eu dá o exemplo, dá o exemplo a tantas outras pessoas que passaram como gestor do município".

Veja o vídeo que contem o áudio logo abaixo.




Veja aqui a nomeação da filha do prefeito para o cargo de Secretária da Saúde: http://www.diariomunicipal.com.br/femurn/materia/719B9116

Print site VNTOnline

*Tentamos entrar em contato por meio dos telefones da prefeitura com o atual gestor, porém os telefones não atenderam.
*O site encontra-se aberto aos esclarecimento sobre essa e outras publicações, podendo ratificar ou retificar qualquer matéria publicada.
Adriano de Alexandria Editor

domingo, 8 de janeiro de 2017

Entrevista com Cleide de Carvalho, ex-prefeita de Várzea/RN


Nessa serie de entrevista que será realizada em decorrer do ano 2017, o Blog Ovarzeano realiza sua primeira entrevista com a ex-prefeita de Várzea/RN.

Em entrevista concedida ao Blog O Varzeano, Cleide Carvalho expõe sua experiência como gestora e fala sobre variados temas: campanha eleitoral, gestão e o amor a sua cidade. Como esperado, na entrevista foi perguntado como está a real situação da cidade, e o seu ponto de vista sobre o Decreto de Emergência em caráter Financeira e Administrativa, realizado na atual gestão. 

A seguir, leia a entrevista: 

O blog – Como foi a experiência em ter sido prefeita de Várzea/RN? 

Cleide Carvalho –Foi uma experiência bastante positiva emocionalmente para mim, tendo em vista ter mais da metade da minha vida e da minha juventude dedicada à nossa Várzea e aos Varzeanos. E como sempre sonhei em "fazer mais", essa oportunidade chegou, apesar do pouco tempo que tive para realizar o que pretendia. 

O blog – A sua gestão, que foi curta, passou por alguma dificuldade seja ela financeira ou de gestão? 

Cleide Carvalho – Sim. Passei por todas as espécies de dificuldades que se possa imaginar: Começando pelos repasses do FPM. Os 5 primeiros meses, o repasse do dia 10, sempre foi zero. Dia 20, o que vinha, não era o suficiente para a transferência completa da Câmara e no dia 30, era para pagar Funcionários efetivos, Cargos Comissionados e completar os recursos do FUNDEB, para pagar a Educação. Ai, onde se fazia as escolhas. Também tive uma equipe financeira competente que ajudou. Porque para mim, era essencial não atrasar o pagamento dos funcionários, tendo em vista a importância do recebimento dos proventos, para as famílias manterem seus compromissos e dignidade. E ainda alcancei todas as datas comemorativas do município: Festa do padroeiro, Semana do folclore, Semana Cívica e a Festa da Emancipação. Pense num sufoco! Mas, mesmo assim, realizamos todas, em grande estilo, dentro das possibilidades. Deus é pai! 

O blog – Gostaríamos que nos esclarecesse a real situação financeira da cidade? 

Cleide Carvalho – Deixei uma prefeitura enxuta: Décimo terceiro e salário do mês em dia, alugueis, água, luz, dos prédios públicos zerado, todos os fornecedores pagos e mais de 600 mil reais em Caixa, para o novo gestor dar continuidade à administração, sem dificuldades. Acredito que poucas ou nenhuma prefeitura do Brasil, teve esse cuidado. Para isso, tivemos que ter muita habilidade e zelo, para administrarmos os obstáculos causados com a situação econômico-financeira que vive o nosso pais. 


O blog – O prefeito atual, em decreto publicado recentemente, alegou situação de emergência e culpou sua equipe de transição que, segundo ele, não passou as informações necessárias. A Sr. ª tem conhecimento sobre essa suposta falta de informações referentes à transição? 

Cleide Carvalho – A transição foi feita de forma tranquila e amigável: A equipe da nova gestão agendou 5 reuniões durante todo o mês de dezembro e se deslocou até a prefeitura, onde eram recebidos pela nossa comissão de transição. Lá, ocorriam os questionamentos e era deixado ofício com as solicitações repassadas para cada setor. E foram prestadas todas informações solicitadas. Agora o problema é da nova Gestão. 

O blog – Falando um pouco do decreto que declara emergência administrativo-financeira, gostaria que a Sr. ª expusesse sua opinião sobre um ponto polêmico e mais crítico desse documento: a possibilidade de comprar sem licitação. Como a Sr. ª vê esse fato e se, na sua opinião, há interesses por trás desse argumento. 

Cleide Carvalho –Cada Prefeito tem sua forma de conduzir a Administração do munícipio. Eu sempre procurei respeitar e me fundamentar na lei de Responsabilidade Fiscal, que rege todas as ações dos Serviços Públicos. No meu ponto de vista, não encontro justificativa para decisão tão drástica, diante da realidade que ficou a prefeitura: Equilibrada e sem dívidas. Cada gestor tem sua maneira de administrar. 

O blog – Outro ponto polêmico do decreto foi algo muito comentado no pleito eleitoral: contratação de pessoal. Durante a campanha eleitoral, a então oposição, falava muito em contratar pessoas qualificadas e preparadas para trabalhar na prefeitura. Porém, com o decreto, em seu artigo Art. 5º, fica permitida a contratação de mão de obra qualificada ou não. Qual sua opinião sobre essa contradição e sobre a possibilidade de contratar pessoas não qualificadas para determinadas funções? 

Cleide Carvalho – Na política, muito se promete, com o intuito de angariar votos. Nunca compartilhei desse comportamento, preferindo falar coisas verdadeiras e executáveis. Talvez até seja um dos motivos do meu insucesso na área. Mas vou preferir continuar erguendo a bandeira da Verdade. 

O blog – Após esta derrota nas urnas, a senhora se retira da Cena Política, ou podemos esperar sua participação (direta ou indiretamente) no próximo pleito eleitoral. 

Cleide Carvalho – Acho cedo para oficializar uma resposta definitiva. Mas tem três regras que costumo seguir: Nunca prometo nada quando estou muito feliz, não respondo nada quando estou irritada e nem decido nada quando estou triste. 

O blog – Qual seu sentimento após as derrotas nas urnas? 

Cleide Carvalho – De que nada é eterno e os planos de Deus sempre prevalecem. A política é um jogo e eu tenho uma certeza tão grande das minhas boas intenções por várzea, que imaginava que as pessoas visualizavam isso. Não transferi eleitores de outros lugares, porque acredito que o verdadeiro eleitor é o que mora no município, conhece sua real necessidade e sabe fazer a melhor escolha, porque é quem vivencia o dia a dia da sua cidade. Na verdade, eles foram campeões de transferências. Sabemos que tem um vereador que sozinho transferiu mais de 200 votos, e foi o grande responsável pelo êxito da Campanha. E deve ter seu espaço maior que os outros como reconhecimento. Mais sabemos que o sentimento dos Várzeanos era ver Cleide Prefeita. 

O blog – Após vários anos de vida pública, 2 mandatos como vice-prefeita, 7 meses como prefeita qual seu sentimento em relação a nossa cidade e ao seu povo? Pois em letreiro inaugurado no fim de sua gestão ficou explícito seu amor e carinho por Várzea. 

Cleide Carvalho – Foi pouco tempo, para muitos sonhos. Mas, para mim, o valor desse acontecimento, não ficou no tempo que durou, mas na forma intensa que vivenciei este tempo. Cuidei com respeito e atenção, de cada pessoa, cada data comemorativa, cada cantinho da nossa terra. Porque para mim, Várzea não é apenas um espaço físico, mas todo um conjunto de sentimentos, modo de ser, posturas que definem a alma: Nossa Alma Varzeana... Tínhamos muitos planos, mas, os verdadeiros não são os nossos e sim os de Deus. Porém, tenho certeza que consegui expressar todo bem que desejo para nossa terra e nossa gente. Para que isso seja registrado na memória e no coração de cada um, escrevi com letras garrafais em ferro e concreto, na entrada da nossa cidade: QUE EU AMO VÁRZEA! Espero que este patrimônio público e de grande beleza, seja zelado pelos Varzeanos. Muito me preocupo quando vejo pessoas que sobem nas letras para tirar fotos com intuito único e exclusivo de depredar o patrimônio público. Aqui, quero agradecer os 2059 votos de confiança que eu tive. Sei que todos também amam Várzea! E para encerrar, relembro a grande escritora, Clarice Lispector, com um texto que muito me identifico: " O caminho que escolhi é o do amor. Não importa as dores, as angustias, nem as decepções. Escolhi ser verdadeira. Falo e vivo com o coração. No meu caminho, o abraço é apertado, o aperto de mão é sincero, por isso não estranhe à minha maneira de sorrir, de desejar o bem. É só assim que eu enxergo a vida, e é só assim que eu acredito que valha a pena viver". Um grande abraço para todos que amam várzea!
Adriano de Alexandria Editor

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

[Opinião] Situação de Emergência Financeira em Várzea


Realizar um decreto dessa alcunha sem haver uma real e palpável fundamentação, é sumariamente grave.

Em momentos de crise financeira enfrentada pelos entes federativos, manter a folha de pagamento dos funcionários em dia é um ato até patriótico. Para municípios que vivem basicamente do FPM (Fundo de Participação dos Município) a baixa gradual nos repasses que os sustentam é uma tortura sem fim. Essa grave e constante crise financeira que tem abatido o Brasil, e consequentemente os pequenos municípios que se sustentam do FPM, a realidade não está fácil, isso e um fato incontestável.

Ao decretar algo tão sério e cheio de detalhes e nuances, a Prefeitura Municipal de Várzea não soube, digo, não souber detalhar o motivo peremptório e fundamental para esse decreto. Pouco foi dito naquela pequena lauda que continha apenas detalhes sobre uma transição malfeita.

Veja o decreto aqui - http://www.diariomunicipal.com.br/femurn/materia/33EDA622 

Podemos tomar como exemplo o caso do Estado do RJ, que se utilizou dessa mesma ferramenta jurídica para enfrentar uma grave crise financeira, sendo que lá a crise financeira se dá de forma mais grave ao ponto de ser decretado Estado de Calamidade Pública, um pouco mais grave que emergência.

No meu ponto de vista, o que levaria a decretação desse ato, seria um descompasso com aquilo que é recebido e o que gasto, descompasso financeiro, colocando isso de forma simples. O que demonstraria essa situação, seria no mínimo, o atraso de pagamento na folha dos funcionários e fornecedores por falta de recursos financeiros.
Retirar o dever de licitar é o mesmo que marcar um pênalti e o atacante ter o direito de bater sem haver goleiro algum.
Não pode-se decretar a de forma vil, quanto a legitimação de realizar gastos sem licitar, previsto na LRF (Lei de Responsabilidade Fiscal) no Art. 24 - IV, apenas por descompasso como a gestão anterior.

Quero ressaltar, algo extremamente perigoso nesse decreto, que ao meu ver deveria passar pelo crivo da câmara municipal como está previsto na LRF (Lei de Responsabilidade Fiscal) para validar alguns de seus pontos que são explicitados nessa legislação. Ao fazer esse decreto, o executivo se exime de realizar licitações, algo gravíssimo, e extremamente perigoso.

Retirar o dever de licitar é o mesmo que marcar um pênalti e o atacante ter o direito de bater sem haver goleiro algum. Isso pode causar danos gravíssimos a coisa público.

* Após diversas tentativas de contato, por meio de telefone e internet, não houve retorno por parte do executivo para o esclarecimento sobre o decreto.

Entenda mais:

LRF (Lei de Responsabilidade Fiscal)  > http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/LCP/Lcp101.htm

Adriano de Alexandria Editor